quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

TUPÃ E A ÁRVORE DA ERVA-MATE - UMA LENDA...

Se tem um gaúcho
no pago,
solitário ou não,
tem canha,
tem trago,
tem chimarrão...
Na noite
sob as estrelas,
o fogo de chão
não deixa
que a saudade maltrate
e a lenda da erva-mate
afasta a solidão.
Todo guasca a conta
nesse iluminado cenário,
pois é um relicário
essa história bendita
de uma índia bonita
e seu pai solitário.
Ele um cacique inteligente
da tribo guarani,
que viveu por aqui,
há muito tempo atrás,
num clima de paz;
ela, a índia CAÁ-YARI.
Dizia a Lei indígena
que a mulher casada,
geralmente prendada
já naquele tempo ido,
tinha que acompanhar o marido
e ao seu lado estar
fosse em qualquer lugar.
CAÁ-YARI,
já em idade de casar,
amava o pai e temia
afastar-se do velho guerreiro
que sozinho ia ficar.
Mas ela apaixonada
mergulhou na tristeza
que ofuscava sua beleza
pois não podia ter ao lado
o seu eleito amado.
Um dia, numa manhã,
o cacique pediu a TUPÃ,
Deus supremo da Nação,
que lhe aliviasse o coração
na ausência da filha,
acabando com a ilha,
cercada de solidão.
TUPÃ atendeu o pedido
mostrando ao guarani
e a india CAÁ-YARI,
uma árvore bendita
cuja folhagem bonita
moída e bem secada
se tornava encantada.
TUPÃ, Deus do trovão,
o cacique consolou,
pois lhe ensinou
a afastar do coração
a mágoa da saudade
nos sorvos do chimarrão.
Desde então,
pelo pago estrelado,
na noite enluarada
o gaúcho tem por estrada
a prenda do seu lado
e no outro costado
uma erva bem cevada,
tirada daquela árvore
por TUPÃ abençoada.
Árvore santa que TUPÃ
naquela distante manhã
mostrou ao índio saudoso
cujo mate saboroso
nos aquece a vida inteira,
tem a índia CAÁ-YARI
como SANTA PADROEIRA.

Rui E L Tavares

(21/02/2010)

2 comentários:

A Política Literária disse...

Prezado Rui Tavares!
O seu poema é imortal, porque a vida cultural se perpetua na natureza, no ecossistema, pela ação do homem, documentado na palavra. Você é um pensador nato com dom poético, porque sabe expressar uma coisa para dizer outra, no mundo das ideias. Parabéns pela expresão com a arte da palavra que seu imaginário reflete no texto literário. Parabéns.
Ijuí/RS. Teobaldo Branco.

A Política Literária disse...

Prezado Rui Tavares!
O seu poema "Tupã e a Erva Mate" é imortal, porque a vida cultural se perpetua na natureza, no ecossistema, pela ação do homem, documentado na palavra. Você é um pensador nato com dom poético, porque sabe expressar uma coisa para dizer outra, no mundo das ideias. Parabéns pela expresão com a arte da palavra que seu imaginário reflete no texto literário. Parabéns.
Ijuí/RS. Teobaldo Branco.