segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

"INSÔNIA"

Nada se ouve ou se move, é a inércia
do vácuo vital da madrugada
as horas transcorrem num vazio
o tempo avança imutável e frio
pela noite da vida já cansada.

O trânsito dos segundos que se somam
um ao outro alucinadamente
são estalos do chicote que tortura
minha alma repleta de amargura
prostrada ao carrasco docilmente.

Alta madrugada, a luz está acesa
neste meu quarto, onde acordado
espero o raiar de novo dia
escrevendo esta amarga poesia
em verso melancólico e ritmado.

Segundos, minutos,...as horas passam
e se perdem, sem volta, na correnteza
levando de roldão aquela chama
que aqueceu, um dia, esta cama
mas que apagou, hoje, na incerteza.

Que versos são esses que me brotam?
em movimentos perversos desta mão
espalhando sabor amargo como fel
sobre esta folha branca de papel
em espasmos poéticos de solidão.

A insônia, no tempo, se prolonga
é a imagem refletida do tormento
gravada a fogo na memória
repetindo sempre a mesma história
nos versos que traduzem um momento.

RUI - Dez/2008

Um comentário:

vadinho disse...

É meu amigo! Acho que temos bastante coisas em comum,no bom sentido, eu também tenho versos sobre a minha noite de insônia, não tão rico quanto os teus, mas também fala da insônia.
Parabéns.
Muito bom.