domingo, 10 de janeiro de 2010

ÀS MARGENS DO RIO

Rio de água límpida que desce a serra
nascido de vertente num lugar de encanto
na nascente tanta beleza encerra
mas no seu curso a perde no entanto.

Desce a encosta entre perfume de alecrim
esbelta criança, um riacho varonil
e chega a planície ainda assim
para desabrochar sob um céu de anil.

Robusto se torna, um belo curso d'agua
largo, profundo e caudaloso
entre margens a desfilar a mágoa
de não ser mais aquele rio formoso.

A poluição lhe tolda o brilho cristalino
e o olor de alecrim já diluído
dá ao rio que antes foi um menino
um aspecto velho, fraco e poluído.

Às margens do rio ainda venho
para chorar sua morte prematura
pois na mente seu vigor ainda tenho
e relembro com saudade e amargura.

Aqui, às tuas margens, velho rio
quando tua orla era perfumada e florida
preenchi em minha alma um imenso vazio
conheci o grande amor da minha vida.

Como tu, no auge de tanto vigor
ao final da tarde, quando o Sol se punha
jogamos em tuas águas uma flor
juramos amor e tu foi a testemunha.

Hoje volto à tua presença, com carinho
às tuas margens, sentado, sem alegria
jogo outra flor, desta vez sozinho
e escrevo esta amargurada poesia.

Rui E L Tavares

(10/01/2010)

Um comentário:

Ramon Freitas Carvalho disse...

http://ramonfreitas.blogspot.com