quarta-feira, 21 de abril de 2010

"NÓS"


No toque de nossos dedos
estou
nas minhas extremidades.

Nos instantes de contato
de fato
vivo eternidades.

No beijo
em desejo
nos meus lábios permaneço.

No sexo, enfim
saio de mim
e em ti me esqueço!

Rui E L Tavares

(21/04/2010)

NÃO HÁ SILÊNCIO NO AMOR

O silêncio diz tudo
contudo
não diz nada.

É voz calada
sem tom
na amplitude do som.

No entanto
no acalanto
"ouve-se" o calor...

Que rompe o ar
pelo olhar...
Não há silêncio no amor!

Rui E L Tavares

(21/04/2010)

PEDAÇOS DE MIM

Pedaços quebrados,
espalhados,
do que fui...

E sou,
na vida que me separou
em fragmentos...

Mutilados,
rasgados,
partes do fim...

Pétalas caídas da flor,
dores de amor,
pedaços de mim.

Rui E L Tavares

(21/04/2010)

TOQUE NA PELE DO TEMPO

O tempo é pele
tênue,
delicada,
marcada
pelas horas
no relógio da vida.

Fundido
na memória,
é membrana de história,
invólucro da alma,
em gotas de calma
jorrando eternidade.

Tocar a pele do tempo
é tocar a vida,
com mãos de veludo
contudo,
é tocar
a luz que vem do olhar.

Toque na pele do tempo,
transcorrido,
que se fez tecido
com a maciez da flor,
é como sentir nos dedos
o contato do amor.

Rui E L Tavares

(21/04/2010)

VENTO MINUANO APAIXONADO

Quando as folhas caem ao chão
num matiz descolorido
é chegada a época do ano
de ouvir no pampa o gemido
desse cortante conhecido
como Vento Minuano.

Vindo das bandas do polar
a cabresto na frente fria
levanta a geada que brilha
seja de noite ou de dia
dando um toque de nostalgia
ao verde lá da coxilha.

Vento Minuano apaixonado
sopra no rancho sem luxo
no solo verde, no céu azul
no coração do gaúcho
que lhe suporta o repuxo
neste rincão amado do sul.

Um caso de amor perfeito
fundido na nossa simbologia
O Minuano e a Querência
juntos na alegria
são versos da poesia
partes da mesma consciência.

Rui E L Tavares

(19/04/2010)