sábado, 22 de maio de 2010

EU VI...

Eu vi milhares de formiguinhas
devorando uma mosca.
Um banquete...
Vi outras tantas
num pingo de sorvete.

Felizes formiguinhas,
Comida pra "dedéu"
apesar dos pesares
mesmo sendo milhares
o sustento cai do céu.

Eu vi infelizes seres humanos
como formigas, nem tantos
mas é certo
que ciscavam o sustento
num lixão à céu aberto.

É miséria pra "dedéu"...
mãos erguem uma galinha
como se fosse um troféu!
vai lá candidato prometedor
lá também tem título de eleitor.

Tu não é diferente,
tua matéria é igual a dessa gente
que vive como barata
a diferença aparente
se resume a uma gravata.

Rui E L Tavares

(24/04/2010)

QUINZE PARA ÀS CINCO!

- Que horas são?
- Faltam quinze para às cinco
agora...
Quinze, são minutos;
cinco, são horas!


- Não são ainda!
- Brincas, eu não brinco,
se faltam,
ainda não são cinco...

- São quatro e quarenta e cinco,
isso sim,
enfim,
o tempo é ou não!


- Não existe razão
em atribuir falta às horas,
nem sobras...
- No bruto,
hora é hora;
minuto é minuto.


- E basta!
- Eu estou nervoso,
ansioso,
sério e não brinco...
- Ela só chega às cinco!


Rui E L Tavares

(23/04/2010)

VIDA & ÁGUA!

Oxigênio,
Hidrogênio...
A vida é como água.


Ventura,
mágoa...
Uma mistura.


Às vezes pura
cristalina;
outras tristes enredos...

Água jorrando
coragens
e medos...


Fechada na mão,
escorre sempre
por entre os dedos.


Rui E L tavares

(23/04/2010)
CORAÇÃO DE TORCEDOR!

Estádio lotado,
bandeiras tremulando,
pura emoção...

Torcida cantando,
charanga tocando
aguerrida canção.

Expectativa
viva
na ola que se desenrola.

Na arquibancada cheia
o sangue na veia
lateja no andar da bola...

GOOOOOOOOOOLLLLL !
Estrondo ensurdecedor...
num só coração de torcedor!

Rui E L Tavares

(23/04/2010)

ARTE NA GAROA

A chuva cai, mas é lenta
escorre suave no ladrilho
parece que ela tenta
com seu intenso brilho
que reluz e some
escrever o teu nome
num constante estribilho.

É uma chuva de garoa
mais parece lágrimas ralas
displicentes, à toa
traçando pequenas valas
parece tu que do céu
nas gotículas deste véu
saudosamente me falas.

Vejo neste quadro exposto
pela chuva no chão desenhado
o encanto do teu rosto
suavemente molhado
tracejado à mão e pincel
com a essência do mel
num esboço delicado.

Bendigo a garoa que cai
e se despe à minha vista
no nu úmido que sai
do seu toque de artista
formando com tinta brilhosa
a tua imagem airosa
no improviso desta pista.

(Dedicado ao irmão Jarbas Zaneti Lima Tavares,
que está lá no céu)

Rui E L Tavares

(22/04/2010)