segunda-feira, 26 de outubro de 2009

ÚLTIMA NOITE

Calam-se as vozes do amor
ante a espectativa do desenlace.
Como a prenunciar a dor
uma lágrima escorre-me pela face...

Olho-te e vejo-me no teu olhar
como tantas vezes me vi quando te olhei
mas esta lágrima que teima em rolar
vê-la assim, por Deus, nunca pensei...

Quem não chora quando o amor termina!
Deixa-me chorar, portanto, agora
quero gravar para sempre na retina
o teu olhar, por minha vida afora...

Amanhã, quando fores, não me acorda.
Não me verás fingir que estou dormindo
como agora, não verás o pranto que transborda
nem a dor cruel que estou sentindo...

Vá apenas, não precisa te despedir.
Saia quando esta última noite finda
não posso te ver partir
pois te amo tanto ainda...!

Rui E L Tavares

(01/10/2009)
RAIO DE SOL

Vida minha, que és
essência que me energiza
movimentando meus pés...

Pelo caminho que te tornas
dando-me o calor
de aconchegante lençol...

Tu é a minha fonte de amor

Meu pequeno raio de sol...


Rui E L Tavares

(10/10/2009)
MINHA LUA

O que devo fazer, me diz!
do teu conselho...
sou fiel aprendiz.

Uma palavra tua,
um gesto um aceno...
torna tudo mais ameno.

Tu é a minha Lua...

Neste luar tão pequeno!


Rui E L Tavares

(01/10/2009)
VENTO

Venta muito
um vento forte
que vem do norte
represador...
Retém as águas
que ultrapassam o leito
e cujo efeito
é devastador...
Não chove mais
só nos olhos do flagelado
que desesperado
chora de dor...
Lágrima sofrida
que do infortúnio nasce
e o vento seca na face
consolador...!

Rui E L Tavares

(01/10/2009)
O CARTAZ

Não pise na grama, pise na calçada
proteja a natureza!
Dizia um cartaz, numa mansão
de incomparável beleza!

Verdadeiro monumento de alvenaria
demonstração grandiosa de poder
que um cartaz vazio como esse
dá o direito vazio de escrever!

E lá dentro? Ah! lá dentro que luxo!
imponente, a natureza em peças recicladas
de onde ainda se ouve o gemido
de muitas árvores derrubadas!

Um castelo, e lá dentro um rei
inimigo da verdadeira realeza
muito antes dele chegar
ali, de fato, reinava a natureza!

Irônico, portanto, aquele cartaz
de hipócrita e fingido valor
deveria ser escrito diferente
mais ou menos com o seguinte teor:

- Pise no verde, nasceu para ser pisado
não no monumento à natureza destroçada!
Pise na grama...
Proteja a imponência da calçada...!

Rui E L Tavares

(01/10/2009)